PARANÁ: Recusa de doação de órgãos no estado é de uma em cada quatro famílias, número menor que a média nacional

PARANÁ: Recusa de doação de órgãos no estado é de uma em cada quatro famílias, número menor que a média nacional

5 de novembro de 2019 Off Por admin

A doação de órgãos é um ato que pode representar recomeço e esperança para milhares de pessoas. Entre os órgãos que podem ser doados, estão coração, pulmão, rim, fígado e pâncreas. Há também a possibilidade de doar tecidos, como as córneas. Segundo a Central de Transplantes do Paraná, até setembro deste ano, 2 mil pacientes aguardavam na lista de espera por um novo órgão. O tipo de transplante mais demandado no estado é o rim, com 1.520 pessoas na lista. Em seguida, há 200 pacientes à espera de córneas, e 192 que aguardam um fígado. Em todo o país, mais de 45 mil pacientes esperam por um transplante de órgão, segundo o Ministério da Saúde. 

A passadeira Silmara Ferraz, de 46 anos, é um exemplo de quem teve uma segunda chance. Moradora de Curitiba, Silmara é transplantada de rim há oito anos. Ela foi diagnosticada com lúpus em 2010, doença autoimune que prejudicou o funcionamento dos órgãos. As dores e sessões de hemodiálise duraram mais de um ano, até que um amigo da família se voluntariou a doar, em vida, um dos rins. Em setembro de 2011, o gesto de solidariedade foi consolidado.

“Depois do transplante, foi como se eu tivesse renascido de novo, uma nova chance. No meu caso fui privilegiada: uma pessoa me procurou, bateu na minha porta disposta a doar um rim. É um anjo mesmo. Doar é um ato de amar o ser humano, o próximo. No meu caso, eu tive sorte que uma pessoa me procurou, mas muitas pessoas estão na espera, na lista, na esperança de aparecer um órgão”, afirma Silmara.

Existem dois tipos de doadores de órgãos: o vivo – que, desde que não prejudique a sua saúde, pode doar um dos rins, parte do fígado, do pulmão ou da medula óssea, e o doador falecido – pacientes com morte encefálica, vítimas de traumatismo craniano ou de um derrame cerebral (AVC). 

Após a morte cerebral, um fator é decisivo para que pacientes da lista de espera tenham uma segunda chance, assim como Silmara: a autorização dos familiares para a doação dos órgãos. Na média nacional, quatro em cada dez famílias dos possíveis doadores dizem ‘não’ à doação (40%). No Paraná, essa taxa de recusa é de 25%. Esse é o principal fator que impede a diminuição da lista no estado, segundo a enfermeira da Central Estadual de Transplantes do Paraná, Luana Cristina dos Santos. 

A especialista explica que o transplante, na maioria das vezes, é a última alternativa do tratamento para determinadas doenças. Por isso, ressalta a importância do diálogo entre quem deseja doar órgãos e parentes.

“É importantíssimo que a família conheça o desejo, porque não resolve deixar por escrito, o que vale é a vontade da família no momento em que houver a possibilidade da doação. A doação de órgãos salva vidas, a nossa chance de precisar de um órgão é muito maior do que a nossa chance de poder doar. Nós precisamos levar esse assunto para o nosso núcleo familiar, expor nosso desejo de ser um doador de órgãos. Lembrando que existem pessoas como nós na lista de espera que dependem de uma doação para sobreviver”, aponta a coordenadora. 

O Brasil é referência mundial na área e possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Atualmente, cerca de 96% dos procedimentos de todo o País são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos, o Brasil é o segundo maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Os pacientes recebem assistência integral, incluindo os exames preparatórios, a cirurgia, o acompanhamento e os medicamentos pós-transplante, financiados pela rede pública de saúde. 

Se você vive no estado e quer saber como ser um doador, basta procurar a Central Estadual de Transplantes, que fica na Rua Barão do Rio Branco, 465, 1º Andar, em Curitiba. O telefone para contato é (41) 3304-1900. Repetindo: (41) 3304-1900.

Todo o processo de doação de órgãos no Brasil é transparente e embasado por leis para que as famílias tomem uma decisão livre e segura antes de autorizar o transplante. A vida continua. Doe órgãos, converse com sua família. Para mais informações, acesse: saude.gov.br/doacaodeorgaos.