Nos Estados Unidos, um cachorro testou positivo para o vírus que causa a Covid-19 em humanos e foi sacrificado. Segundo veterinários, o cão não apresentava sintomas da doença, mas tinha uma condição crônica de saúde pré-existente  — por isso foi decidida a opção pela eutanásia.

Em entrevista à CNN nesta quarta-feira (22), o veterinário Fernando Zacchi, assessor técnico do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), avaliou que a decisão foi um “ponto fora da curva” e uma “medida drástica”.

Para ele, a eutanásia seria desproporcional caso tivesse sido feita somente em razão do resultado positivo para o novo coronavírus. “Nesse caso, percebemos que essas outras comorbidades foram o motivo da indicação da eutanásia”, pontuou.

Segundo o assessor técnico do CFMV, é natural encontrar partículas virais em quaisquer espécies de animais, já que o mundo vive em estado de pandemia – com quase 15 milhões de infectados em todo o mundo, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

“Os animais não estão imunes [a partículas virais], mas isso não significa que eles adoeçam com a Covid-19 ou tenham capacidade de transmitir a doença aos seres humanos”, destacou ele, acrescentando que, até o momento, nenhum estudo comprovou que cachorros e gatos fazem parte da cadeia epidemiológica.

“Sabemos que é uma doença de pessoas para pessoas. E todos esses casos que foram relatados tinham uma pessoa contaminada por fora, então o ambiente é que está contaminado e, por isso, estamos encontrando a partícula viral nos animais”, assegurou.

Por fim, o especialista indicou que pessoas com diagnóstico confirmado e suspeita do novo coronavírus estendam o isolamento social – que deve ser feito em casa com membros da família – também aos animais de estimação.

“A recomendação é que, quando possível, evite esse contato com as outras pessoas da casa, animais e objetos. Da mesma maneira que essa pessoa que está doente não vai compartilhar a sua roupa de cama, é interessante que esse animal não circule nesses ambientes, porque ele pode, eventualmente, em um espirro ou tosse da pessoa, acabar carregando esse vírus para outros”, concluiu.

O caso nos EUA

Segundo os pesquisadores da Universidade Clemson, que cuidaram do caso do cachorro nos EUA, continua não havendo evidência de que os animais transmitam o vírus para humanos. 

O veterinário e diretor do departamento de Saúde Pecuária e Aves da Universidade Clemson, Boyd Parr, disse que um veterinário particular decidiu testar o cão, que tinha entre 8 e 9 anos de idade, após um de seus proprietários testar positivo para o coronavírus. 

“Com base no conhecimento atual, continua a não haver evidências de que os animais de estimação tenham um papel significativo na disseminação do SARS-CoV-2 para as pessoas”, disse Parr. “Mas é uma boa ideia restringir o contato com seus animais de estimação e outros animais, assim como você faz com outras pessoas, se estiver infectado com Covid-19, a fim de protegê-los da exposição ao vírus”, completou o veterinário. 

O Departamento de Agricultura dos EUA confirmou o vírus no cachorro no dia 9 de julho, e os pesquisadores da Clemson e o Departamento de Saúde e Controle Ambiental da Carolina do Sul continuam investigando o caso junto com os Centros de Controle e Doenças (CDC).