O governador Carlos Massa Ratinho Junior assinou nesta quinta-feira (15) a liberação de R$ 23,94 milhões para a construção do loteamento e da infraestrutura de instalação da Cidade Industrial de Londrina, no Norte do Paraná. O empreendimento gerará, pelo menos, 12 mil novos empregos no futuro – 4 mil diretos e 8 mil indiretos.

A licitação foi feita em maio, o resultado já foi homologado e a ordem de serviço deve ser assinada nos próximos dias. A construção deve ser concluída em 18 meses. Os recursos do Governo do Estado serão utilizados para terraplenagem, drenagem, pavimentação com CBUQ, serviços de urbanização, redes de água e esgoto, iluminação pública, construção de uma guarita e muro paliteiro.

“É um dia histórico para Londrina, em especial para a geração de emprego e para a industrialização”, disse Ratinho Junior. “A vocação do município sempre esteve ligada ao comércio e ao setor de serviços, e as indústrias ocupam um pequeno pedaço da economia. Essa Cidade Industrial tem 42 alqueires de loteamento para proporcionar um novo salto industrial, com potencial de atrair várias empresas importantes”, afirmou.

O governador também destacou que o complexo atende um compromisso de incentivo da industrialização fora do eixo Curitiba, Região Metropolitana e Ponta Grossa, além de facilitar a retomada dos negócios e dos empregos depois dos impactos econômicos e sociais provocados pela pandemia.

“Queremos levar indústrias para o Interior. E só podemos fazer isso com mais infraestrutura, energia, gás e mão de obra qualificada. Estamos planejando um novo marco do gás para trazer essa alternativa para o Norte do Estado, e melhorando a logística da região. Esse conjunto de medidas amplia os olhares dos empresários e investidores para a cidade”, complementou o governador. “Londrina vai bem e irradia essa força para os municípios da região”.

Os recursos foram liberados pelo Sistema de Financiamento aos Municípios (SFM), linha de crédito operacionalizada pela Fomento Paraná e pelo Paranacidade, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e de Obras Públicas. É o maior investimento do Governo do Estado em um projeto com essa envergadura e potencial de novas carteiras de trabalho assinadas. O valor máximo do edital era de R$ 31,7 milhões, ou seja, houve economia de R$ 7,8 milhões no certame.

“Faremos toda a infraestrutura desse loteamento. É uma obra que vai transformar um terreno vazio em um grande complexo industrial. Um projeto moderno, bem trabalhado, e que estava no nosso plano de Governo. Um compromisso com a população da cidade”, disse o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, João Carlos Ortega. “Esse projeto foi priorizado pelas nossas equipes técnicas porque tem potencial imenso de transformar o Norte do Paraná”.

PROJETO – O projeto da Cidade Industrial, idealizado para ampliar o portfólio de indústrias do município, tramita desde os anos 1990 na prefeitura de Londrina. O complexo terá toda a infraestrutura necessária para atrair novas plantas, empresas de setores que ainda não operam no Paraná e capacidade para gerar uma rede de novos negócios conectados entre si, incluindo aqueles voltados para tecnologia, fundamental para as exigências desse século.

O objetivo também é ampliar a participação do setor industrial na economia do município. Atualmente, comércio/serviços responde por aproximadamente 80% do Produto Interno Bruto (PIB) de Londrina, enquanto a indústria tem 18%.

Também há expectativa de influenciar positivamente a economia de uma área com mais de 1,2 milhão de habitantes, que é a soma do município com a sua região metropolitana.

Esse processo de atração acontece concomitantemente à construção da Cidade Industrial. Alguns investimentos anunciados nos últimos meses em Londrina são, por exemplo, os R$ 500 milhões da J.Macêdo em cinco plantas industriais; a criação de 400 novos empregos na fábrica de elevadores e escadas rolantes Atlas Schindler, com potencial de alcançar mil vagas; anúncio de 700 novos postos de trabalho do Grupo Tata, uma das líderes globais de Tecnologia da Informação; e os novos Centros de Distribuição da Magazine Luiza e da BRF (Sadia e Perdigão).

“Esse investimento é um marco histórico para o município, para o desenvolvimento de Londrina e para o Norte do Paraná. Se falava que Londrina era prestadora de serviços e que perdia muitas indústrias. Estamos criando um ciclo de investimentos e, ao mesmo tempo, atendendo uma reivindicação antiga da sociedade civil organizada e do setor empresarial”, afirmou Bruno Ubiratan, presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel). “Finalmente tiramos a Cidade Industrial do papel”.

INOVAÇÃO – A esse investimento se soma, ainda, uma rede de 53 mil estudantes universitários, o Hub de Inteligência Artificial criado em parceria com o Senai, a consolidação de uma grande teia de startups (Londrina é a décima cidade com maior densidade de empresas inovadoras do País) e a localização geográfica estratégica do município, perto de São Paulo (capital e Estado) e do Mato Grosso do Sul.

Ainda se inclui nessa rede o novo Tecnocentro, que fica em uma área de cerca de 3 mil metros quadrados. Em um antigo barracão desativado são instalados laboratório de análises de alimentos, módulos para instalação de novas empresas e um auditório. A obra, que conta com recursos a fundo perdido do Estado, será entregue neste ano e a expectativa é pelo fortalecimento de pilares do município, como agronegócio, saúde e tecnologia da informação, entre outros.

“É um anseio de 20 anos que tem um novo capítulo agora. A cidade vai ganhar muito nos próximos anos”, destacou Atacy de Melo Junior, diretor técnico e de desenvolvimento do Codel. “Com a Cidade Industrial e esses investimentos damos mais um passo no projeto de conter a saída de empresas para outros municípios. Com ela respondemos o pedido recorrente do Programa Municipal de Atração de Investimentos (PMAI), que apontava êxodo por conta de inexistência de áreas específicas para as indústrias como um dos principais problemas da cidade”.

Segundo Fernando Moraes, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), a Cidade Industrial está dentro do planejamento de crescimento dos próximos 30 anos do município. “Em 2002 a indústria de Londrina representava 22% do PIB, depois caiu. Precisávamos dessa retomada. A sociedade civil organizada é parceira desse projeto idealizado para melhorar a infraestrutura do município”, disse.

CIDADE INDUSTRIAL – O complexo fechado de 395,1 mil metros quadrados de área construída, de um total de 1,1 milhão de metros quadrados, será construído no final da Avenida Saul Elkind, na Gleba Jacutinga, na divisa com Cambé, região Noroeste do município. O loteamento em formato de triângulo é dividido em 90 lotes de 2 mil metros quadrados a 6 mil metros quadrados cada, todos com terrenos devidamente regularizados na Prefeitura.

Alguns dos atrativos são a proximidade com postos de combustíveis, faixas verdes aos fundos e no miolo do terreno, e o formato em loteamento fechado para garantir e inspirar segurança e economicidade, num sistema de gestão compartilhada de câmeras e pessoal para controlar o fluxo.

O projeto é tão detalhado que inclui arborização com 59 tipos de plantas, incluindo ipês (amarelo, branco, rosa e verde), plátanos, cafezeiros e cerejeiras do Japão, além de espaços de descanso e apoio, como lanchonetes e restaurantes, e estacionamentos. Serão 82,5 mil metros quadrados apenas com nova pavimentação.

Segundo a prefeitura de Londrina, cerca de 120 empresas já manifestaram interesse em participar do futuro processo licitatório dos espaços. Os perfis são bem variados, desde indústrias do setor de eletro-metal-mecânica e móveis com alto valor agregado às agroindústrias e processadoras de alimentos.

“Depois de começar as obras vamos estruturar o processo de venda dos terrenos com o Sinduscon, a Acil, a Federação das Indústrias do Paraná. A ideia é criar um modelo de edital para os terrenos que atenda os interesses de todos os envolvidos, com discussão comunitária, vender com subsídios”, disse Bruno Ubiratan. “Começaremos a discutir esses termos ainda neste ano. Queremos que os projetos das empresas e a construção do loteamento caminhem de maneira paralela, queremos ganhar tempo”.

RODOVIA – A Cidade Industrial de Londrina também deve ganhar, no futuro, uma ligação totalmente duplicada com a PR-445 (ligação com Cambé e principal rodovia das proximidades). O Codel já contratou o projeto executivo da duplicação do trecho de cerca de sete quilômetros. Cerca de 50% do estudo já está concluído, com investimento de R$ 300 mil. A obra em si deve custar em torno de R$ 12 milhões, mas o valor final depende da conclusão da maquete.

PRESENÇAS – Estiveram presentes na assinatura os secretários de Planejamento e Projetos Estruturantes, Valdemar Bernardo Jorge, e da Saúde, Beto Preto; o controlador-geral do Estado, Raul Siqueira; o diretor-presidente da Compagas, Rafael Lamastra; os deputados estaduais Cobra Repórter e Tercílio Turini; o prefeito de Cambé, Zé do Carmo; o prefeito de Sabáudia, Hugo Manueira, representando a Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar); e a coordenadora regional da Casa Civil em Londrina, Sandra Moya.

Grupo instala cinco indústrias em local próximo à Cidade Industrial

O grupo J.Macêdo vai começar a instalar nos próximos meses cinco indústrias em um terreno de 376 mil metros quadrados que é vizinho à Cidade Industrial. O complexo da empresa será uma “isca” para novos interessados na região.

O investimento completo em uma fábrica de macarrão, uma fábrica de biscoitos, um laboratório de trigo, um centro de distribuição e um novo moinho, cinco vezes maior do que o atual, envolve R$ 500 milhões. Serão gerados de 1,5 mil a 4 mil empregos diretos apenas nesse novo complexo.

A empresa prevê desenvolvimento de novas categorias na planta de Londrina, como mistura para bolos, massas e biscoitos assados para atender o mercado nacional. O novo complexo influenciará o campo (produção rural) e a logística da região.

Estado investe em infraestrutura em Londrina para atrair novos investimentos

O Governo do Estado mantém uma programação de investimentos em infraestrutura em Londrina para auxiliar esse novo salto desejado pelo segundo maior município do Paraná. Fazem parte desse rol a duplicação da PR-445 do trecho entre Londrina e o Distrito de Irerê, com previsão de conclusão para esse ano, e a inclusão do Aeroporto José Richa no pacote Sul de concessões do governo federal.

A intervenção do trecho de 15,8 quilômetros da PR-445 envolve duplicação, construção de sete pontes, quatro viadutos, uma trincheira e muros de contenção. O investimento é de R$ 93,4 milhões. A sequência da ampliação, entre Irerê e Mauá da Serra, compõe a prioridade estadual.

O contrato para elaboração do projeto, inclusive, já foi assinado. A obra deve prever faixas de aceleração e desaceleração, interseções em desnível (viadutos e trincheiras) e alargamento das pontes existentes no trecho.

O aeroporto por onde embarcam e desembarcam mais de um milhão de pessoas por ano será concedido para a iniciativa privada junto com os terminais de Curitiba, São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu, dois catarinenses e três gaúchos no chamado Bloco Sul. A contribuição inicial mínima desse pacote é de R$ 408,2 milhões, com investimentos de cerca de R$ 8,9 bilhões em 30 anos.

Além disso, a Sanepar está investindo R$ 60 milhões nas estações de tratamento de esgoto Norte e Sul. Londrina tem 94% da população atendida com rede coletora de esgoto, com tratamento total do volume coletado, mas a ambição é chegar a toda cidade até 2029. No total o investimento da estatal em água e esgoto passa de R$ 284 milhões no município.